domingo, 21 de maio de 2017

Argélia, um país sem pressa

“No dia em que os franceses debandaram, as suas vidas ficaram presas a gestos do quotidiano que revelam a pressa em fugir”, conta-nos Nádia. “Um pouco por todo o lado, sobram exemplos de que a saída não foi planeada. Refeições inacabadas. Pijamas dobrados em cima da cama. Jogos de cartas suspensos. Deveres da escola a meio… Mil e uma coisas do nosso dia-a-dia abruptamente interrompidas, por uma urgência que mudou o país”, acrescenta a nossa anfitriã, num dos serões intemporais nos quais nos vai falando da alma da Argélia.

Nesse distante 5 de julho de 1962 muito aconteceu, além da independência do país. O fim de um ciclo para milhares pode bem ser o início de outro para outros tantos. Na casbah, a cidade velha amuralhada, sem idade, nasceu uma bebé que simboliza a revolução. E que 54 anos depois está diante de nós, narrando-nos a sua Argélia ao sabor de delongado chá. Aquela à qual regressou há três anos e que não pretende abandonar até ao fim dos seus dias. A mesma que a prende às raízes, quando o marido está em missão diplomática francesa no Afeganistão.


Rui Barbosa Batista 
Fugas, 20.05.2017
aqui

terça-feira, 18 de abril de 2017

Herança


Catherine Milkovitch-Rioux e Isabella von Treskow 

Ruínas em filigrana

"Não esse género de ruína em que a alma das multidões apenas teve tempo de se petrificar, gravando o seu adeus na rocha, mas as ruínas em filigrana de todos os tempos, as banhadas pelo sangue nas nossas veias, aquelas que trazemos connosco em segredo sem nunca encontrarmos nem o lugar nem o instante convenientes para vermos: os inestimáveis escombros do presente (…)"

Kateb Yacine
«Nedjma»

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Like Liszt


"Kateb Yacine’s 1956 novel Nedjma is luxuriant and convoluted like Liszt, not deceptively simple like Mozart, but in my encounter with it I found myself in a position more like that of the amateur attempting Mozart: I read every word, but never felt I was more than a tenth of the way toward having read the novel. And yet not a page passed without my having the feeling that I was experiencing something great. (...)"

 Barry Schwabsky
"The Potential Novel of a Conceivable Algeria", Hyperallergic (19/02/2017)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

quarta-feira, 29 de junho de 2016

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Com Ahmed Cheniki


Temas e personagens

Ridha BOULAABI | Honoré Champion (2015)

N de Nedjma

"N comme Nedjma, par Kateb Yacine. Fouillez avec nous dans les archives de France Culture pour réécouter Kateb Yacine parler en 1966 de son personnage Nedjma à l'occasion de cet abécédaire des grands personnages de fiction. (...)"

http://www.franceculture.fr/2015-12-14-nedjma-nee-d-un-exorcisme-par-kateb-yacine

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Kateb Yacine e a guerra

"Kateb Yacine, likewise, participated in Algeria's struggle for independence in several ways. In 1945, at the age of sixteen, while in boarding school at Sétif in eastern Algeria, he helped organize demonstrations against the French during the victory celebrations. These demonstrations provoked mutual massacres, an event considered the forerunner of the Algerian war of independence (1954-62). 
At the age of eighteen, he lectured on Abd al-Qadir, the nineteenth-century father of Algerian nationalism, in the Salle des Sociétés Savantes in Paris. His adult years up to 1962, the year when Algeria achieved independence, were devoted to Algeria’s cause, as he lived in exile in various countries, and following independence, he furthered Algerian culture through his novels and a traveling theatre troupe in Algeria and France. In his first novel Nedjma, a woman's name which means 'constellation of stars', Kateb Yacine did not have the benefit of psychological or social studies of relations between the colonizer and the colonized.
Though the novel was published in 1956, Yacine had published a poem with the same title in 1948, consisting of a lyrical portrait of an elusive Algerian woman. 
The novel thus grows gradually out of his poetic intuition of the Algerian situation in the 1940s and 1950s. Nedjma is a difficult novel for the reader, involving mainly four young man just out of high school in the late 1940s, and all involved in various ways with the mysterious Nedjma. (...)" 

 Judith Roumani 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Kateb Yacine e as mulheres

"Dans le système d’organisation social colonial il voyait les injustices et les subordinations qui frappaient en premier les femmes, et les femmes Kateb les aimaient, il aimait la mère, l’amante, la sœur, la combattante, la paysanne, la poétesse, toutes les femmes il clamait “ on enferme la femme parce qu’elle est belle ” et il ne parlait pas uniquement d’une beauté physique c’était l’ensemble de la personnalité féminine qui le charmait. (...)"

Djemaa Djoghlal

quarta-feira, 27 de maio de 2015

"Os Condenados da Terra"


"E, de facto, se o colonizado tivesse tendência a adormecer, a esquecer, a arrogância do colono e a sua preocupação em experimentar a solidez do sistema colonial recordar-lhe-iam, a cada passo, que o grande confronto não poderá ser indefinidamente adiado. Esse impulso para tomar o lugar do colono mantém constantemente a tensão muscular do colonizado. Sabe-se, com efeito, que em determinadas condições emocionais a presença do obstáculo acentua a tendência para o movimento. (...)"

Frantz Fanon
Os Condenados da Terra, Letra Livre (2015)

Perspectivas antropológicas sobre árabes e muçulmanos


No âmbito do Curso Livre "Cultura e Contexto – perspectivas antropológicas sobre árabes e muçulmanos", promovido pela FCSH/NOVA e pelo Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA)/Azimute - Estudos em Contextos Árabes e Islâmicos, realizam-se duas Aulas Abertas associadas a este Curso Livre ministradas por Paulo Hilu, da Universidade Federal Fluminense.

Aula Aberta: «Sectarismo e Reconfigurações Identitárias no Conflito Sírio» Quarta-feira, 27 de Maio, 18h | Sala 0.07 Piso 0, Ed. ID, FCSH/NOVA.

Aula Aberta: «Convicções Diaspóricas: Mobilizações Políticas dos Sírio-Libaneses no Brasil e A Guerra Civil Síria» Quinta-feira, 28 de Maio, 18h | sala Multiusos 3, Piso 4, Ed. ID, FCSH/NOVA. 

Entrada Livre

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Lena Chamamyan | Sareri Hovin Mernem

Entrevista a Assia Moussei

What are Algerian readers reading these days? What kinds of books do they prefer to read? 

There are two kinds of Algerian readers: the first reads basically in Arabic, and in many cases, this kind of reader has a traditional, religious background. And then there is the reader who basically reads in French: this second kind of reader is more open-minded, but he is saturated with clichéd ideas about Arabic culture and Arabic literary creativity. There is a group that reads both languages, which is the ideal group. Of course, the divisions aren’t so clear, and there is a lot of intermixing among the groups. Altogether, our readers are interested in books on religion, Arabic cultural heritage, and Islamic jurisprudence (fiqh) in general, and in books on politics and history (especially Algerian history), memoirs, and books of an academic nature. Recently, there has begun to be a strong interest in the Algerian and Arabic novel.

(...)
entrevista completa aqui.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cultural Meeting Points | Portugal, o Médio-Oriente e o Magrebe


A Cultural Meeting Points é uma associação cultural que opera nas áreas da cultura e das relações internacionais com especial incidência nas relações entre Portugal, Médio-Oriente e Magrebe. Em Portugal, a Cultural Meeting Points promove e difunde as iniciativas culturais de doze países árabes. A estes países junta-se ainda a cultura persa da República Islâmica do Irão.

A Cultural Meeting Points é resultado de uma ideia de Vera Teixeira Da Costa, que tem desenvolvido um projecto na área das Relações Internacionais e projecção da Cultura Árabe no ocidente, especialmente em Portugal, e conta com as colaborações de parceiros e pessoas do sector institucional e privado, que são desafiadas para a realização de acções de difusão de conteúdos nas áreas da cultura. 

O seu objectivo é a cooperação e a comunicação entre os países árabes e islâmicos, e Portugal. Esta iniciativa é articulada com as embaixadas dos países com os quais se ambiciona um conhecimento mais sólido e alargado, privilegiando a produção artística e cultural. 

A Cultural Meeting Points teve o seu início no dia 12 de Novembro de 2013 com a conferência “Portugal & Mundo Árabe-Islâmico Contemporâneo" na Fundação Calouste Gulbenkian. Neste encontro, foi discutida uma visão plural e reflexiva sobre o Mundo Árabe-Islâmico e a sua presença no Ocidente, com particular foco nas suas interacções contemporâneas. 

Saiba mais aqui: 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Nedjma | Athenaeum-Polak & Van Gennep (2013)


Nedjma, de Kateb Yacine, na edição 
da Athenaeum-Polak & Van Gennep, Holanda, 2013

terça-feira, 17 de março de 2015

La mort *

   Je suis allé un jour hanter le cimetière,
J´ai parlé longuement à feu mon ami Pierre,
Ses propos m´ont paru sortir d´une autre bouche:
Hélas, il n´avait plus sa voix rude et farouche.

   Il m´a dit qu´il était dans un calme profond
Et que rien ne troublait son sommeil Léthargique,
Visitant sans frayeurs des abîmes sans fond,
On m´a dit que la mort n´avait rien de tragique.

   Pour moi, j´aime bien mieux la vie et ses douleurs,
J´aime écouter mon coeur battre comme un tambour;
Un sommeil inconscient est pour moi sans douceurs,
Plutôt lutter vivant que dormir pour toujours.

                                                          Kateb Yassine 

* Retirado da coletânea de poemas Oeuvres de M. Kateb Yassine (1945), dedicada a André Walter. Aos 15 anos, Kateb era estudante em Setif e ainda não havia vivenciado o 8 de maio de 1945. (Actualité de Kateb Yacine, Itinéraires et Contacts de Cultures. Volume 17, 1er semestre 1993). 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Versão italiana d' O círculo de represálias

Epochè (2004)
trad, de Piero Ferrero e Egi Volterrani
prefácio de Francesca Corrao